Cover do episódio 71: Automação que nasceu de preguiça: quando escrever código economizou horas repetitivas
#0717 de abril, 20193 min leituraCódigo na PráticaS3 · 2018–2019

Automação que nasceu de preguiça: quando escrever código economizou horas repetitivas

Tinha uma tarefa de pesquisa que eu fazia manualmente toda semana. Levava 2 horas. Escrevi um script que faz em 3 minutos. Aquele dia entendi o que código pode ser.

AutomaçãoPythonProdutividadeScripts

Toda semana, a mesma sequência: baixar arquivo, abrir no Excel, filtrar por data, copiar para outra planilha, calcular totais, salvar, enviar para o professor.

Duas horas. Toda semana. Há dois meses.

Na terceira vez que fiz aquilo sem pensar, percebi: isso é exatamente o tipo de coisa que computador faz melhor que humano.


Escrevi o script em uma tarde. Não foi código elegante — era Python procedural, algumas funções, pandas para o CSV, print no console para confirmar. 80 linhas.

Rodei. Funcionou. O que levava 2 horas levou 3 minutos.

Aquela tarde mudou algo na forma como eu entendia código. Não como disciplina técnica, não como skill para colocar no currículo. Como ferramenta de amplificação. Você faz uma vez o trabalho de especificar o problema, e depois o computador faz o trabalho manual indefinidamente.


O que aprendi sobre automação que vai além daquele script:

Automatizar cedo custa tempo, mas economiza mais tempo depois. O instinto errado é "não compensa escrever script para tarefa que leva 30 minutos." O instinto certo é calcular: se você faz essa tarefa toda semana por um ano, são 26 horas. Um script que leva 4 horas para escrever e roda em 5 minutos paga a si mesmo em seis semanas.

Automação sem observabilidade é automação que falha silenciosamente. Meu script não tinha log. Quando parou de funcionar um mês depois porque o formato do arquivo mudou, não sabi imediatamente — só descobri quando o professor perguntou sobre o relatório da semana. Aprendi a importância de log, de asserção, de notificação de falha.

Manutenção é parte do custo. Automação não é "escrevi uma vez, funciona para sempre." O mundo muda — formato de arquivo muda, fonte de dado muda, requisito muda. Automação precisa de manutenção como qualquer outro código.

A pergunta certa não é "consigo automatizar isso?" É "vale a pena manter essa automação?"


Esse instinto de automação voltou em tudo que fiz depois.

Em DevOps: pipeline de CI que rodava testes automaticamente em vez de alguém rodar manualmente antes de cada deploy. Em plataforma: golden path que configurava projeto novo em minutos em vez de horas de setup manual. Em observabilidade: dashboard que gerava alert quando métrica saía de threshold em vez de alguém monitorar manualmente.

A ideia é sempre a mesma: se humano está fazendo tarefa repetível com regra clara, computador deve fazer.

A preguiça produtiva — o desconforto com trabalho repetitivo que te empurra a escrever o script — é habilidade de engenheiro. Cultive ela.

Essa semana: qual tarefa você faz repetidamente que tem regra clara o suficiente para ser automatizada?