Cover do episódio 120: COVID, trabalho remoto, e o que aprendi nos primeiros três meses
#12013 de abril, 20203 min leituraA Mente que ConstróiS5 · 2020–2021

COVID, trabalho remoto, e o que aprendi nos primeiros três meses

Em março de 2020 todo o time foi para casa. Alguns meses depois eu percebi que nunca ia querer voltar. Aqui está o que mudou — e o que quase quebrou no começo.

RemotoCOVIDProdutividadeCarreira

Em março de 2020, o escritório fechou.

"Temporariamente", todo mundo achava. Peguei notebook, monitor, teclado, e montei home office na mesa da cozinha. Não tinha mesa de escritório. Usava fone de ouvido para fazer calls porque o apartamento era pequeno e o microfone do notebook pegava eco da cozinha.

Achei que ia durar um mês.


As primeiras semanas foram difíceis de um jeito que eu não esperava.

Não era falta de disciplina. Era falta de separação. Home e work viraram uma coisa só. Você senta para trabalhar na mesa onde tomou café da manhã. Termina o horário e a mesa continua lá — com o notebook, com o projeto aberto.

Sem saída física do escritório, o cérebro não recebe o sinal de que o trabalho acabou.

Aprendi que o sinal precisa ser criado. Não acontece sozinho.

Para mim: encerramento de sessão com um ritual específico. Fechar tudo, escrever o que ficou para amanhã em três linhas, desligar o monitor. Parece mecânico. Funciona porque o cérebro aprende padrões.


O que quebrou na comunicação:

No escritório, você captava contexto passivamente. Ouvia a conversa ao lado sobre o bug que o outro time estava investigando. Sabia do prazo que tinha mudado porque ouviu a ligação do PM.

Remoto elimina isso. Cada informação precisa ser explicitamente comunicada ou se perde.

Times que funcionam remotamente são obcecados com documentação assíncrona — não porque gostam de escrever, mas porque a alternativa é reunião. E reunião mal definida em remote é um vácuo de tempo que não produz nada.

O que aprendi a fazer: escrever antes de perguntar. Se você pode encontrar a resposta lendo um documento, uma PR, um Slack thread anterior — encontre. Pergunta de chat que poderia ter sido pesquisa quebra o flow de quem você pergunta e cria uma dependência desnecessária.


O que melhorou que eu não esperava:

Produtividade em deep work. Sem interrupção física, blocos de 3-4 horas de trabalho focado viraram possíveis. No escritório open space, esses blocos eram raros.

Autonomia real. Remoto força o time a trabalhar por entregável, não por presença. Ninguém sabe se você está sentado na cadeira das 9 às 18. Só sabe se o trabalho está feito.

E — isso é importante — sem pendular de volta para casa, ganhei 1h30 por dia. Aquele tempo foi para estudo, leitura, projetos pessoais.


Em 2020 percebi que remoto não era compensação pela pandemia — era o modelo de trabalho que fazia mais sentido para mim. Quando as empresas começaram a anunciar retorno ao escritório, eu comecei a pensar no que viria depois.

O MEXP nasceu em 2022, em parte como resposta a essa percepção: construir produto próprio que não depende de presença física em lugar nenhum.

Remoto não funciona para todo mundo. Para quem funciona, muda completamente o cálculo de onde pode trabalhar, com quem pode trabalhar, e como pode construir carreira.