
Meu primeiro mentor técnico: o que aprendi observando alguém mais experiente trabalhar
Ele diagnosticava em minutos o que me levava horas. Não era que sabia mais — era que pensava diferente. O que aprendi observando, não só executando.
Tinha um colega mais velho no time que eu ficava observando quando ele resolvia problema.
Não porque me mandaram observar. Porque a diferença no tempo de diagnóstico era desconcertante. Problema que me levava uma hora, ele resolvia em quinze minutos. Às vezes dez.
No começo achei que era experiência — ele conhecia os sistemas há mais tempo, então sabia onde procurar. Mas quando comecei a prestar atenção na sequência de ações, percebi que não era só isso.
A diferença não estava no que ele sabia. Estava na ordem em que fazia as perguntas.
Quando um problema chegava, eu ia direto para o sintoma. Abria o log do sistema que estava com erro, procurava a mensagem de erro, tentava corrigir. Às vezes funcionava. Quando não funcionava, ficava preso.
Ele fazia diferente. Antes de abrir qualquer log, fazia três ou quatro perguntas: quando começou? Aconteceu antes? Alguém fez alguma mudança recente? Só então abria o ferramental.
As perguntas reduziam o espaço de possibilidades antes de começar a investigar. Quando ele chegava nos logs, já sabia aproximadamente o que estava procurando.
Modelo mental de diagnóstico — não conhecimento de sistema específico.
Aprendi mais observando do que executando durante um período.
Não é que execução não importe. É que execução sem modelo mental é tentativa e erro. Observar alguém com modelo mental mais maduro comprime o tempo que levaria para desenvolver esse modelo por conta própria.
Existe um nome para isso que aprendi muito depois: shadowing. Na época era só "ficar por perto quando ele resolvia problema difícil e fazer perguntas depois."
O que perguntava não era "qual era a solução?" — era "por que você foi por esse caminho e não pelo outro?" A resposta a essa pergunta era o que eu precisava, não a solução em si. Solução resolve o problema de hoje. Modelo mental resolve os problemas futuros.
Quando comecei a mentorizar pessoas júnior anos depois, fiz o mesmo.
Não dava a solução. Mostrava o processo de chegar nela. Verbalizava o raciocínio em voz alta — "estou checando isso primeiro porque se fosse X então Y deveria estar diferente." Isso é o que observei naquele colega e o que mais aprendi com ele.
Mentor que só dá resposta está tirando a oportunidade de aprendizado. Mentor que mostra como pensa está transferindo capacidade.
Se você tem alguém mais experiente no time que resolve problema rápido: pare de só resolver junto — comece a observar a sequência de pensamento. O que eles checam primeiro? O que eles descartam sem verificar? Por quê?
Essa semana: tem alguém no seu time cujo processo de raciocínio você nunca parou para observar atentamente?