
Minha primeira conta AWS — e o susto na fatura
Em 2020, abri minha primeira conta AWS para um projeto. Não entendia o modelo de pricing. A fatura do mês foi um choque — e uma das melhores aulas que tive sobre como cloud funciona de verdade.
Eu não entendia o modelo de pricing da AWS quando abri minha primeira conta.
Sabia que era pay-as-you-go. Sabia que você pagava pelo que usava. O que eu não entendia era o que contava como "uso" — e isso resultou em uma surpresa desagradável na primeira fatura.
O projeto era simples. Um serviço Node rodando em uma EC2 pequena, um RDS com PostgreSQL, um S3 para arquivos. Nada complexo. Estimativa de custo: baixo, talvez uns vinte dólares por mês.
Fatura do primeiro mês: 140 dólares.
Fui investigar. Não era nenhum ataque, não era bug, não era vazamento. Era ignorância minha sobre como os serviços da AWS eram cobrados.
O primeiro item que não tinha calculado: o RDS não tem tier gratuito de forma ilimitada. Eu havia selecionado uma instância db.t3.micro achando que estava no free tier. Estava, mas o free tier tem limite de horas — e eu tinha rodado a instância o mês todo, bem além do limite.
Segundo item: transferência de dados tem custo. Dados que entram na AWS são grátis. Dados que saem têm custo por GB. O serviço estava respondendo a requisições com payloads maiores do que eu tinha estimado. Saiu mais dados do que eu tinha calculado.
Terceiro item — esse foi o mais idiota: eu tinha deixado um NAT Gateway ligado. NAT Gateway custa por hora de existência, não por uso. Eu o tinha criado para testar algo, esquecido de deletar, e ele ficou rodando o mês inteiro sem fazer nada.
O que aprendi sobre modelo de pricing de cloud:
Pay-as-you-go não significa "pague só quando alguém usa". Significa "pague pelo recurso enquanto ele existe". Uma EC2 ligada mas ociosa ainda custa. Um RDS rodando às 3h da manhã sem nenhuma query ainda custa. Um NAT Gateway existindo custa.
A distinção importante é entre custo por tempo (EC2, RDS, NAT Gateway, ElastiCache — existência é custo) e custo por uso (Lambda, S3 API calls, transferência de dados — você paga quando acontece). Confundir esses dois modelos é o erro mais comum de quem está começando com cloud.
A segunda coisa que aprendi: alarmes de billing são obrigatórios, não opcionais.
AWS tem alertas de custo configuráveis. Eu não havia configurado nenhum. Se tivesse colocado um alerta para 30 dólares, teria recebido notificação na primeira semana e ido investigar antes de acumular o mês inteiro.
Agora configuro alarmes de billing antes de qualquer outra coisa quando crio uma conta ou começo um projeto. É o primeiro passo. Não o quarto, não o "quando eu lembrar" — o primeiro.
Terceira coisa: tagging de recursos para rastreamento de custo.
Em produção ou em projetos com múltiplos componentes, você precisa saber qual recurso está gerando qual custo. A AWS tem Cost Explorer, mas ele é muito mais útil quando os recursos têm tags consistentes. Uma tag Project: nome-do-projeto em todos os recursos permite filtrar custos por projeto e identificar o que está custando mais.
Sem tags, você vê uma linha "EC2" de X dólares sem saber qual instância específica é responsável.
O susto na fatura foi caro mas valeu o preço. Nunca mais esqueci de deletar recursos que não estou usando, nunca mais deixei de configurar alertas de billing, nunca mais estimei custo cloud sem levar em conta transferência de dados e NAT.
Cloud computing democratiza infraestrutura mas não perdoa ignorância de modelo de custo. Você pode colocar recursos em produção em minutos. Você pode acumular fatura surpresa em dias. O poder e a armadilha estão no mesmo mecanismo.
Se você vai criar sua primeira conta AWS, GCP, ou Azure: antes de criar qualquer recurso, configure alertas de billing em 10, 50, e 100 dólares. Antes de deletar um projeto ou fechar uma conta, vá no console e liste todos os recursos ainda existentes — NAT Gateway, RDS, EC2, Elastic IPs — e delete o que não precisa mais. Elastic IPs reservadas mas não associadas a nada também cobram.
Organize a saída antes de criar mais.
Essa semana: se você tem conta em algum cloud provider, acesse o painel de billing agora. Quanto você está gastando? Você sabe identificar de onde vem cada item de custo? Se não sabe, dedique uma hora para entender antes que vire uma surpresa.