
Proxmox em casa: como um servidor velho virou meu melhor professor de infra
Em 2019 transformei um PC antigo num servidor com Proxmox. O que aprendi em 6 meses de homelab foi mais do que qualquer curso de cloud poderia ter me dado.
Em 2019 eu tinha um PC antigo parado. Core i5, 16GB de RAM, HD de 1TB. Não rodava mais bem como desktop — travava no Chrome com 10 abas. Mas 16GB de RAM é muito para servidor.
Formatei, instalei Proxmox VE.
Proxmox é hypervisor open-source — você instala direto no bare metal e a partir daí cria VMs e containers Linux via browser. É o que data center usa para virtualizar. Só que você roda em casa, no seu hardware, sem conta de cloud no cartão.
Em 10 minutos tinha Ubuntu rodando numa VM. Na semana seguinte, tinha Pi-hole numa LXC, Nginx Proxy Manager em outra, um servidor de arquivos, e um ambiente de teste isolado do resto. Tudo no mesmo hardware.
O que aprendi que tutorial não ensina:
Rede estática: quando o servidor está ligado 24h, você não quer IP mudando. Configurei IP estático via DHCP reservation e aprendi como DHCP funciona de verdade — o que é MAC address binding, por que IP fixo importa para serviços que precisam ser acessíveis sempre.
SSH sem senha: chave RSA pública copiada para o servidor. Conveniente e mais seguro. Aprendi em 30 minutos no homelab e uso até hoje em todo ambiente profissional.
Snapshots: antes de qualquer mudança destrutiva numa VM, tira snapshot. Parece óbvio depois que você faz uma vez. Antes de fazer, você aprende da pior forma — quando não tem snapshot e estraga algo que levou dias para configurar.
DNS local: Pi-hole em container LXC resolvendo DNS local. Você acessa git.local em vez de 192.168.1.105. Pequeno conforto, grande aprendizado sobre como DNS funciona.
Backup automatizado: backup diário das VMs para HD externo. A lição foi outra: backup sem teste de restore não é backup. Testei restore uma vez. Funcionou. Dormi melhor.
O homelab como laboratório de erros seguros
A grande vantagem do homelab é que você pode destruir tudo sem consequência.
Aprendi sobre Linux porque tinha um Ubuntu Server para brincar. Aprendi sobre containers porque tinha LXC para experimentar. Aprendi sobre networking porque tinha uma rede virtual para configurar como quisesse.
Quando errava — e errava com frequência — o custo era zero. Destruía a VM, criava outra.
Isso é diferente de AWS free tier, onde você paga pelo erro. É diferente de trabalho, onde o erro tem consequência real. Homelab é espaço seguro para aprender errando em velocidade.
O que rodei no homelab em 2019
- Ubuntu Server — aprender Linux CLI sem GUI. Vim, bash scripting, cron jobs, systemd.
- Gitea — servidor git local. Aprendi como funciona git server antes de entender GitHub em profundidade.
- PostgreSQL — banco local para projetos. Aprendi backup/restore, configuração de conexão remota, performance básica.
- Nginx — proxy reverso. Aprendi como funciona virtual host, SSL com certificado autoassinado, redirect HTTP→HTTPS.
Nenhum desses é sofisticado. Todos me ensinaram algo que usei no trabalho depois.
O modelo mental que o homelab criou
Quando cheguei no meu primeiro projeto AWS em 2020, tinha uma vantagem real sobre colegas que nunca tinham operado servidor.
Sabia o que era VM. Sabia o que era container. Sabia o que era rede virtual, DNS, SSH, backup. Não como conceito — como coisa que eu tinha feito com as mãos.
Cloud é abstração em cima de infraestrutura. Se você entende a infraestrutura, a abstração fica mais fácil. Se você só conhece a abstração, quando ela vaza — e vaza — você fica perdido.
Essa semana: se você tem um PC antigo em casa, considera instalar Proxmox. Se não tem, uma Raspberry Pi 4 serve. O investimento inicial é pequeno. O que você aprende operando seu próprio servidor é difícil de conseguir de outra forma.