
A aposta de 2017: largar tudo e ir estudar numa cidade diferente
Em 2017 tomei uma decisão que parecia arriscada: largar emprego, mudar de cidade sozinho e ir para a faculdade. O que me convenceu foi inverter a pergunta.
O sinal que me convenceu a ir foi a pergunta invertida.
Não "o que acontece se eu for?". Mas "o que acontece se eu não for?". Se não fosse: continuava no mesmo emprego, na mesma rotina, no mesmo teto de aprendizado. Essa resposta foi simples demais. Então fui.
Mudei de cidade. Sem rede, sem conhecidos, quase sem dinheiro. A família ajudou com o básico. O resto era economia e foco.
Meu pior cenário projetado era passar perrengue e sair com uma rede acadêmica. O cenário que aconteceu não estava na lista.
Existe um erro que cometi nessa projeção: assumi que os únicos cenários possíveis eram os que eu conseguia imaginar. Quando você projeta cenários, projeta a partir do que já conhece. A vida tem cenários que só aparecem depois que você se moveu.
O que veio depois foi o que descobri que era possível — não o que imaginei que era possível de onde estava.
Primeira semana na cidade nova: desorientação. Não conhecia ninguém. Rotina simples: acorda, vai para a faculdade, estuda, volta, dorme. Fins de semana, mesma coisa.
Não estava reclamando. Estava absorto. Quando você tem poucos recursos e uma tarefa clara, foca. Foco não é disciplina — é falta de distração.
Faculdade depois de anos trabalhando ensina uma coisa que ambiente profissional não ensina: como trabalhar sem resposta certa.
No trabalho, existe procedimento. Existe alguém que já resolveu antes. Você aprende o processo e executa. Na academia, às vezes você está tentando descobrir algo que não tem resposta ainda — você pode trabalhar semanas numa direção e descobrir que foi caminho errado.
Esse músculo de trabalhar com incerteza ficou. Até hoje, quando enfrento problema sem resposta na documentação — que é toda semana em plataforma — uso o mesmo músculo que desenvolvi aqui.
A decisão de ir não foi calculada com precisão. Foi uma aposta com raciocínio assimétrico: custo de ir = desconforto temporário e reversível. Custo de não ir = permanecer num patamar onde o teto já estava visível.
Quando o downside é reversível e o upside é indefinido, a aposta correta é ir.
Essa semana: qual decisão você está adiando calculando o custo de ir — mas nunca calculou o custo de ficar?