
O cliente pediu relatório. O que ele queria era decisão.
Em 2019 entreguei exatamente o que foi pedido e estava completamente errado. Aprendi que pedido técnico é a solução imaginada para um problema que ainda não foi explicado.
"Quero um relatório de leads por região."
Construí. Tabela por estado, filtro por período, exportação em CSV. Ficou bom.
Cliente viu: "Isso ta errado. Quero saber onde estou perdendo mais."
Não estava errado. Estava incompleto. Respondi o que foi pedido. Não o que era necessário.
Isso acontece porque pedido técnico é a solução que o cliente imaginou para um problema que ele ainda não explicou direito.
"Relatório por região" era a solução que o cliente tinha na cabeça. O problema real era "quero entender onde estou jogando budget de marketing fora."
São problemas diferentes. Relatório por região não responde o segundo. Relatório de conversão por origem de lead, sim.
Uma pergunta teria mudado tudo: "Para que você vai usar isso?"
Aprendi a fazer essa pergunta antes de abrir o editor. Não sempre — às vezes o pedido é claro e a pergunta é ruído. Mas quando tem "quero um X" sem contexto de por que, vale 5 minutos de conversa.
O cliente não está escondendo o contexto de propósito. Ele simplesmente assume que você já sabe o problema e está pedindo a solução. Não sabe.
Construir a coisa certa leva o mesmo tempo que construir a coisa errada. A diferença é uma pergunta antes de começar.
Essa semana: pega o próximo ticket ou pedido que chegar. Antes de abrir o editor, escreve em uma frase o resultado que o usuário quer — não o que foi pedido, mas o que a pessoa precisa conseguir. Se não consegues preencher, tem uma pergunta para fazer.