Cover do episódio 115: Como encerrei 2019 diferente de como comecei
#11530 de dezembro, 20193 min leituraCarreira na PráticaS4 · 2019–2020

Como encerrei 2019 diferente de como comecei

Em janeiro de 2019 eu sabia fazer scripts. Em dezembro eu tinha construído sistemas integrados, entregado para clientes reais, e aprendido o que nenhum tutorial ensina.

RetrospectivaCarreiraCrescimento2019

Em janeiro de 2019 eu sabia fazer scripts.

Scripts em Python que automatizavam tarefas repetitivas. Scripts que liam arquivo, processavam dados, escreviam em outro lugar. Funcionavam na minha máquina. Quando quebravam, eu consertava e rodava de novo.

Em dezembro de 2019, eu tinha construído sistemas que funcionavam sem eu estar olhando, que integravam com APIs de CRM de grandes empresas, que recebiam dados de webhooks em tempo real, que rodavam em servidor com cliente pagando pelo resultado.

A distância entre esses dois pontos foi um ano.


O que aprendi que não estava em nenhum tutorial:

Produção é diferente de desenvolvimento. Local tem dado limpo, conexão estável, ambiente controlado. Produção tem dado que veio de outro sistema com formato ligeiramente diferente do documentado, rede que às vezes fica fora por 30 segundos, usuário fazendo coisas que você não imaginou.

Pedido não é requisito. O que o cliente pede é a solução que ele imaginou. O que ele precisa é o problema que ele está tentando resolver. São frequentemente diferentes e vale um minuto de conversa para descobrir a diferença.

Estimativa é comunicação, não previsão — é um compromisso inicial que você comunica quando muda. Silêncio quando você percebe que vai atrasar é pior do que o próprio atraso.

Bug que aparece e some é bug que você não entendeu. Só feche um bug quando souber a causa, não só o sintoma.


O que não aprendi ainda em 2019 (veio em 2020):

  • Docker e containers (sabia que existia, não sabia usar)
  • AWS além do básico (lí sobre EC2, não tinha colocado a mão)
  • CI/CD automatizado (deployava manualmente)
  • Machine learning além de teoria

Mas a maior mudança de 2019 não foi técnica.

Foi perceber que burnout existe, tem sinais reconhecíveis, e que ignorar os sinais não resolve — acelera.

E foi descobrir que escrever sobre o que eu estava aprendendo ajudava a processar. Não era blog, não era audiência — era notas privadas que viraram uma prática que não parei mais de fazer.

Essas notas de 2019 são a origem do que você está ouvindo agora.


Retrospectiva anual não é sobre celebrar conquistas. É sobre entender a trajetória — o que mudou, o que não mudou, o que eu ainda não sei mas sei que não sei.

Essa distinção — saber que você não sabe — é a coisa mais útil que a experiência dá. No começo, você não sabe o que não sabe. Um ano depois, você tem um mapa mais honesto do próprio conhecimento.

2020 começou com um mapa mais honesto. E com muita vontade de aprender o que estava na lista.