
Como me preparei para vaga de Staff Engineer internacional — o que funcionou e o que não funcionou
Em 2022 e 2023 me preparei para vagas internacionais de Staff. O processo revelou lacunas que eu não sabia que tinha e forçou articulação de experiência que eu achava óbvia.
Em 2022 decidi que queria vaga de Staff Engineer em empresa americana.
Não porque estava insatisfeito onde estava. Porque queria entender o que seria trabalhar em fintech ou infra de escala — o tipo de problema que você não encontra em software house, independente de quanto você cresça nela.
O processo levou um ano. Entrevistei em várias empresas antes de aceitar a oferta. Aprendi mais sobre minha própria experiência nas entrevistas do que em qualquer retrospectiva que fiz.
O que eu subestimei: articular o que você fez é diferente de ter feito.
Eu tinha construído coisas relevantes — observabilidade, plataforma, Kubernetes, Terraform, times — mas não sabia contar isso de forma que fizesse sentido para recrutador ou entrevistador que não estava lá.
A primeira pergunta que desarmou: "Me conta sobre uma decisão técnica que você tomou que impactou outros times além do seu."
Eu tinha tomado várias dessas decisões. Mas na hora, trava. Qual escolher? Como contar de forma que ficasse claro o impacto sem soar como jactância?
Aprendi que você precisa preparar histórias, não listar competências.
O formato que aprendi a usar para contar histórias de impacto:
Situação: qual era o contexto, o problema, as restrições. Ação: o que especificamente você fez (não "o time fez" — o que VOCÊ fez). Resultado: o que mudou, com números quando possível. Aprendizado: o que você faria diferente.
A parte do aprendizado é o que diferencia Staff Engineer de Sênior em entrevista — não que você erre, mas que você extrai e articula o que aprendeu com o erro.
O que eu superestimei: profundidade técnica em linguagem específica.
Entrevistas de Staff não são Leetcode. São conversas sobre tradeoffs, sobre influência técnica, sobre como você trabalhou com times que não são os seus, sobre como você lidou com ambiguidade.
Resolvi centenas de problemas de algoritmo me preparando. Útil para alguns processos, irrelevante para a maioria dos que fiz.
O que foi mais útil: escrever sobre cada projeto relevante que eu tinha feito — o problema real, a solução, o que correu mal, o impacto. Esse exercício me fez redescobrir stories que eu tinha esquecido.
Sobre língua inglesa:
Em entrevista técnica, a proficiência que importa não é vocabulário — é conseguir pensar em voz alta em inglês sem perder o fio do raciocínio.
Isso vem de prática de conversação, não de estudo de gramática. Falei sobre arquitetura técnica em inglês todo dia por três meses antes de começar entrevistas. Não com nativos — com mim mesmo, em voz alta, explicando o que estava aprendendo.
Parece estranho. Funciona.
Em agosto de 2023, entrei na WEX como Staff Platform Engineer. Trabalho remoto de Porto Alegre para time distribuído nos EUA.
O processo foi longo. Valeu — não só pela vaga, mas porque me forçou a articular quatro anos de trabalho de forma que eu mesmo entendesse melhor o que tinha construído.
Se você está pensando em vaga internacional: o maior obstáculo não é inglês, não é fuso horário, não é competência técnica. É conseguir contar sua experiência de forma que faça sentido para alguém que não estava lá.